Família foi uma das pioneiras na vitivinicultura da Serra Catarinense e segue produzindo rótulos exclusivamente com uvas cultivadas na própria propriedade
A história da Vinícola Grando se confunde com a trajetória dos vinhos de altitude da Serra Catarinense. Em São Joaquim, uma tradição iniciada de forma artesanal pelo avô da família atravessou gerações e hoje é conduzida por Guilherme Grando, que representa a terceira geração à frente do negócio.
Entre os vinhedos e a paisagem típica da Serra, Guilherme cresceu acompanhando o trabalho do pai e do avô, aprendendo desde cedo que produzir vinho exige paciência, dedicação e respeito pela natureza.
“O meu avô já plantava uva e fazia vinho de forma artesanal, para o consumo da família. Meu pai foi quem deu um passo maior, começou a profissionalizar. E eu entrei para tentar levar isso a um outro nível”,
conta.
Pioneirismo na Serra Catarinense
As primeiras videiras da Vinícola Grando foram plantadas em 1999, período que marcou o início da vitivinicultura moderna na Serra Catarinense. Na época, poucas famílias acreditavam que o clima rigoroso de São Joaquim poderia resultar em vinhos finos reconhecidos pela qualidade.
Hoje, a propriedade ocupa cerca de 25 hectares de vinhedos, localizados a 1.415 metros de altitude. Entre as variedades cultivadas estão Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Noir e Gewürztraminer.
Segundo Guilherme, cada variedade foi escolhida de acordo com as características naturais da região.
“A gente sempre buscou trabalhar com variedades que tivessem afinidade com o nosso terroir. Não adianta plantar qualquer coisa, tem que fazer sentido com o clima, com o solo e com a altitude.”
Outro diferencial da vinícola é que toda a produção utiliza exclusivamente uvas cultivadas na própria propriedade, garantindo controle sobre todas as etapas da produção.
“Isso dá um controle muito grande sobre a qualidade. A gente sabe exatamente o que está colocando dentro da garrafa”,
afirma.
O frio faz parte da receita
Na Serra Catarinense, o inverno é um dos principais aliados da produção de vinhos de qualidade. Durante o período de dormência, as videiras precisam acumular horas de frio abaixo de 7,2°C para garantir um bom desenvolvimento na primavera.
Neste ano, Guilherme avalia que as condições climáticas têm sido especialmente favoráveis.
“Esse ano está sendo excepcional em horas de frio. Quando a gente tem um inverno bom, a tendência é ter uma safra muito boa.”
Outro fator importante é a amplitude térmica, característica marcante da região. A combinação de dias ensolarados e noites frias favorece o amadurecimento das uvas, preservando sua acidez natural e intensificando aromas e sabores.
“É isso que dá personalidade aos nossos vinhos. Você consegue identificar que veio daqui.”
Reconhecimento e experiência para os visitantes
Com mais de duas décadas de produção, a Vinícola Grando acumula premiações em concursos nacionais e internacionais. Entre os destaques estão os vinhos da linha Gran Reserva, produzidos apenas com as melhores uvas de cada safra e envelhecidos em barricas de carvalho.
“A gente não corre para lançar. Prefere esperar o vinho estar pronto do que colocar no mercado antes do tempo”,
explica.
Além da produção de vinhos, o enoturismo se tornou uma importante atividade da propriedade. Os visitantes podem conhecer os vinhedos, acompanhar parte do processo de elaboração dos vinhos e participar de degustações em meio às paisagens da Serra Catarinense.
Durante o inverno, a geada transforma completamente o cenário.
“No inverno, quando está com geada, os vinhedos ficam completamente brancos. É uma coisa linda de ver. As pessoas chegam aqui e ficam emocionadas”,
relata Guilherme.
O desafio agora é mostrar os vinhos da Serra ao Brasil
Embora os vinhos de altitude tenham conquistado reconhecimento pela qualidade, Guilherme acredita que ainda há um caminho importante na divulgação da região.
“O consumidor brasileiro ainda não conhece bem os vinhos de altitude. Quando prova, se surpreende. O trabalho agora é mostrar para o Brasil e para o mundo o que a gente está fazendo aqui.”
Para ele, a Serra Catarinense reúne características únicas para se consolidar entre as principais regiões produtoras de vinho do país.
“A gente tem terroir, tem história, tem família. Falta só mais visibilidade. E isso está chegando.”
Mais do que produzir vinhos, a família Grando mantém viva uma tradição que atravessa gerações e ajuda a fortalecer a identidade da Serra Catarinense como uma das mais importantes regiões produtoras de vinhos de altitude do Brasil.
Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.


