Vinícola catarinense mantém produção com uvas próprias e aposta em pequenos lotes e longa maturação para elaborar seus rótulos.
A produção de vinhos de altitude em Santa Catarina tem conquistado espaço no mercado nacional e também reconhecimento internacional. Em Água Doce, no Meio-Oeste catarinense, a Vinícola Grando desenvolve um projeto iniciado no fim da década de 1990 e que tem como uma de suas principais características a produção de vinhos de guarda, elaborados a partir de uvas cultivadas na própria propriedade.
Segundo o CEO da Vinícola Grando, Guilherme Grando, os vinhedos estão localizados a cerca de 1.300 metros de altitude, em uma região de planalto que apresenta características climáticas semelhantes às encontradas em outras áreas produtoras de vinhos de altitude no estado.
“Nós estamos mais para o interior do estado, estamos mais próximos da Argentina do que do mar. Então, nós estamos um pouco afastados daqui, mas estamos também nessa condição climática, geográfica, trazida pela altitude, que é essa maturação mais lenta, uma colheita mais tardia, e que, consequentemente, traz esses vinhos que vocês podem provar aqui, que são vinhos muito bem estruturados, vinhos que suportam uma longa guarda”,
explicou.
A história da propriedade começou em 1998, quando a família Grando iniciou os primeiros vinhedos. Antes de definir as variedades que seriam mantidas no projeto, foram realizadas pesquisas e testes com diferentes tipos de uvas. De acordo com Guilherme, a propriedade chegou a trabalhar com 103 variedades e clones diferentes. Com o passar dos anos, o número foi reduzido para cerca de 27, a partir da avaliação do desempenho das plantas no campo e da evolução dos vinhos em garrafa.
“Então a gente foi, ao longo do tempo, avançando. Mas sempre apostando em algumas variedades”,
afirmou.
A produção comercial teve início em 2004 e, atualmente, a vinícola conta com cerca de 25 hectares de parreirais. Toda a produção utilizada nos vinhos da marca é proveniente de uvas próprias, uma estratégia que, segundo Guilherme, permite maior controle sobre o momento da colheita e sobre a qualidade da matéria-prima.
“Usamos hoje esses 25 hectares para produção. 100% com uva própria, justamente para essa filosofia de poder deixar a uva no vinhedo até o momento mais preciso possível para colher com qualidade. E aí tem controle absoluto da produção”,
disse.
A Vinícola Grando também trabalha com uma produção dividida em pequenos lotes. Atualmente, são 14 rótulos, elaborados com diferentes propostas e estilos. A vinícola busca evitar grandes volumes de um único produto e prioriza lotes menores, mantendo, segundo Guilherme, o foco na qualidade.
“Nós hoje temos 14 produtos, 14 rótulos. Justamente buscando fazer pequenos lotes de cada um para justificar essa colheita toda e pôr no mercado vários estilos de produtos. Sempre buscando a qualidade, a elegância, buscando o vinho de guarda, mas em estilos diferentes no sentido de vinificações”,
afirmou.
Vinhos de guarda e maturação
Uma das características destacadas pelo CEO é o tempo de maturação dos vinhos antes de chegarem ao consumidor. Segundo ele, a vinícola não lança vinhos brancos com menos de dois anos e tintos com menos de quatro anos, considerando os períodos de passagem por barricas e de evolução em garrafa.
Reconhecimento internacional
Entre os momentos recentes de destaque para a Vinícola Grando está a conquista de uma medalha de prata no concurso Chardonnay du Monde, realizado na França. A participação foi motivada, segundo Guilherme, pela percepção positiva que o Chardonnay da vinícola já recebia dos visitantes e consumidores.
“O mundo todo envia Chardonnay, lá é a terra do Chardonnay, os grandes Chardonnays do mundo vêm da França também, eu digo também porque hoje o mundo todo tem feito grandes Chardonnays, e a gente recebeu medalha de prata”,
contou.
Para Guilherme, o reconhecimento representa mais do que um resultado comercial. A premiação também funciona como uma confirmação do caminho seguido pela vinícola na elaboração dos produtos.
“Porque a gente vê que está num sentido certo. A gente percebeu que estamos fazendo um vinho num estilo que de fato o mundo tem buscado”,
afirmou.
Uma história construída a partir da pesquisa
A busca por variedades adaptadas às condições da propriedade foi parte fundamental do desenvolvimento do projeto. A partir das pesquisas realizadas ao longo dos anos, a família Grando foi selecionando as uvas que apresentaram melhores resultados tanto no cultivo quanto na evolução dos vinhos.
A experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas também levou a vinícola a estabelecer uma produção baseada na qualidade das safras. Nem todos os rótulos são elaborados em todos os anos, dependendo das condições e da qualidade da matéria-prima disponível.
O vinho como experiência para o consumidor
Além da elaboração dos rótulos, Guilherme defende uma relação mais simples e acessível entre o consumidor e o vinho. Para ele, a escolha não deve ser baseada exclusivamente no preço ou na marca, mas principalmente na experiência pessoal de cada consumidor.
Na avaliação do CEO, o consumidor não precisa necessariamente dominar conhecimentos técnicos para encontrar um vinho de que goste. O mais importante, segundo ele, é experimentar diferentes estilos dentro das possibilidades de cada pessoa.
“Se o vinho for correto e te agradar, está tudo certo”,
resumiu.
Para Guilherme, o reconhecimento obtido pelos vinhos de altitude, incluindo a identificação geográfica, também pode ajudar a reduzir a insegurança de quem ainda não conhece os produtos catarinenses.
Assista a entrevista completa:
Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.


