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20, 05, 2026
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Violência sexual infantil online exige atenção de famílias e instituições

Em um cenário em que crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo conectados, especialistas alertam para os riscos da violência sexual facilitada pela internet. Redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas de jogos e transmissões ao vivo têm sido utilizados por criminosos para práticas de aliciamento, ameaças, extorsão e exploração sexual no ambiente virtual.

O alerta ganhou ainda mais relevância no dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A desembargadora Cláudia Lambert de Faria, responsável pela Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude (CEIJ) do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), destaca que a proteção digital precisa fazer parte da rotina das famílias, escolas e instituições.

“Essa realidade exige atenção redobrada. Muitas situações acontecem de forma silenciosa e, muitas vezes, sem que os adultos percebam os sinais logo no início. Por isso, a proteção no ambiente virtual precisa fazer parte das conversas dentro de casa, das escolas e também das instituições”, ressalta.

Segundo dados do estudo Disrupting Harm in Brazil, realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e divulgados em março deste ano, uma em cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos no Brasil foi vítima de violência sexual facilitada pela tecnologia no último ano. O levantamento estima que cerca de 3 milhões de jovens tenham sofrido algum tipo de abuso ou exploração sexual no ambiente digital.

Diálogo e acolhimento são fundamentais na prevenção

Para a desembargadora Cláudia Lambert de Faria, o diálogo aberto é uma das principais formas de proteção. A orientação é que crianças e adolescentes saibam que podem conversar sobre situações vividas no ambiente virtual sem medo de julgamentos ou punições.

“Muitas vítimas permanecem em silêncio por medo de serem repreendidas ou por acreditarem, de forma equivocada, que têm alguma responsabilidade pelo que aconteceu. A culpa, a vergonha e a pressão exercida pelos agressores podem fazer com que crianças e adolescentes enfrentem sozinhos situações de violência, ampliando ainda mais o sofrimento”, alerta.

Especialistas também orientam pais e responsáveis a observarem mudanças bruscas de comportamento. Isolamento, alterações no sono, queda no rendimento escolar, agressividade excessiva ou timidez repentina podem indicar situações de sofrimento emocional.

ECA Digital reúne orientações e canais de denúncia

Desde o início deste ano, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) passou a contar com uma versão digital e atualizada. O chamado ECA Digital reúne legislação, materiais educativos e conteúdos voltados à proteção integral de crianças e adolescentes, incluindo orientações sobre segurança online, direitos e canais de denúncia.

A ferramenta busca ampliar o acesso à informação e fortalecer ações preventivas junto às famílias, educadores e à sociedade.

Em casos de suspeita ou confirmação de violência, a recomendação é ouvir, acolher e acreditar na criança ou adolescente, evitando julgamentos ou tentativas de minimizar a situação.

As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100.

Proteção digital exige responsabilidade coletiva

A coordenadora da CEIJ reforça que o combate à violência sexual infantil online não depende apenas das famílias. Escolas, instituições, Poder Público e sociedade também precisam atuar de forma integrada para garantir ambientes seguros e ampliar a conscientização sobre os riscos no ambiente digital.

“A proteção começa no vínculo, no diálogo e na presença. Famílias que constroem relações de confiança e espaços seguros de escuta ajudam crianças e adolescentes a se sentirem acolhidos e protegidos. Muitas vezes, uma conversa atenta, um olhar cuidadoso e a certeza de que serão compreendidos podem fazer toda a diferença”, conclui.

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