A Serra Catarinense está no centro da nova etapa de expansão energética de Santa Catarina. O Governo do Estado e a Celesc anunciaram investimento de R$ 411 milhões para a construção de três subestações e novas linhas de transmissão no Planalto Serrano, infraestrutura considerada essencial para viabilizar dezenas de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) previstas para a região.
A iniciativa integra o Programa Energia Boa, criado para acelerar investimentos privados no setor energético e ampliar a capacidade de geração de energia limpa em Santa Catarina. O objetivo é garantir a conexão de novos empreendimentos ao sistema elétrico estadual e nacional.
Santa Catarina lidera o país em pequenas hidrelétricas
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que Santa Catarina é o estado brasileiro com o maior número de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) em operação.
Atualmente, são 255 unidades em funcionamento, o equivalente a 22,3% das 1.140 existentes no país. Na prática, uma em cada cinco pequenas hidrelétricas brasileiras está em território catarinense.
O estado lidera o ranking nacional, seguido por Minas Gerais, com 205 empreendimentos, Mato Grosso, com 131, Rio Grande do Sul, com 123, e Paraná, com 116.
Embora a maior concentração esteja nas regiões Oeste e Meio-Oeste, a Serra Catarinense já conta com 11 pequenas hidrelétricas em operação e desponta como uma das áreas com maior potencial de expansão para os próximos anos.
Investimentos fortalecem infraestrutura da Serra Catarinense
O investimento anunciado para o Planalto Serrano busca resolver um dos principais desafios enfrentados pelos empreendedores do setor: a conexão dos novos projetos à rede de transmissão de energia.
Com as novas subestações e linhas de transmissão, dezenas de empreendimentos poderão sair do papel, ampliando a geração de energia renovável e impulsionando a economia regional.
Entre os projetos beneficiados está a PCH Santo Cristo, localizada em Capão Alto, na divisa com o Rio Grande do Sul.
Inicialmente, a usina foi planejada para comercializar energia com o sistema gaúcho. No entanto, a implantação da nova subestação da Celesc em Lages permitirá que a produção seja integrada ao sistema catarinense.
A unidade também foi contemplada em leilão da Aneel e deverá fornecer energia ao Sistema Interligado Nacional a partir de 2030.
“O Energia Boa vai viabilizar a conexão de muitas usinas, então ele veio em boa hora. O Governo do Estado teve uma visão de desenvolvimento quando fez o programa”,
afirmou João Alderi do Prado, presidente da Creral, cooperativa que investe na PCH Santo Cristo e em outros três projetos hidrelétricos em Santa Catarina.
Estado projeta mais 174 empreendimentos
Além das unidades já em operação, Santa Catarina possui 174 PCHs e CGHs em fase de projeto, licenciamento ou construção cadastradas no Programa Energia Boa.
Segundo o Governo do Estado, pelo menos 100 dessas usinas deverão iniciar as obras até 2027.
A iniciativa busca acelerar a emissão de licenças ambientais, autorizações e outorgas necessárias para a implantação dos empreendimentos.
“O Energia Boa é o maior programa estadual de incentivo à geração de energia limpa do país e por isso virou referência nacional. Embora Santa Catarina tenha apenas 1% do território brasileiro, alcançamos o primeiro lugar no último leilão de energia da Aneel”,
destacou o secretário adjunto de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Edgard Usuy.
Capacidade de geração pode mais que dobrar
As 255 PCHs e CGHs atualmente em operação possuem capacidade instalada próxima de 1 gigawatt (GW), representando cerca de 20% da geração total de energia catarinense.
Com a entrada em funcionamento dos novos projetos previstos pelo Programa Energia Boa, a capacidade instalada poderá ultrapassar 2,5 GW nos próximos anos.
Segundo o governo estadual, o planejamento energético está voltado para atender à demanda futura e garantir segurança no abastecimento de energia para a expansão econômica do estado.
“Muitas dessas usinas vão iniciar a geração de energia somente depois de 2030, mas, para isso, as obras devem iniciar agora. O Governo do Estado está atuando para destravar esses investimentos e garantir maior oferta de energia limpa para Santa Catarina”,
acrescentou Edgard Usuy.
Entenda a diferença entre CGHs e PCHs
As Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) possuem capacidade de geração de até 5 megawatts (MW).
Já as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) operam com capacidade entre 5 MW e 30 MW.
Empreendimentos acima desse limite são classificados como Usinas Hidrelétricas (UHEs).
Uma das principais vantagens das CGHs e PCHs é o menor impacto ambiental. Em comparação com grandes barragens, esses empreendimentos exigem áreas menores de alagamento e apresentam menor impacto social e ambiental.
Serviço
Santa Catarina em números
- 255 PCHs e CGHs em operação
- 22,3% do total nacional
- 174 novos projetos em fase de desenvolvimento
- Capacidade atual: 1 GW
- Capacidade projetada: 2,5 GW
- Investimento anunciado para o Planalto Serrano: R$ 411 milhões


