A combinação entre paisagens da Serra Catarinense, produção de vinhos finos e experiências voltadas aos visitantes tem guiado o crescimento da Vinícola Gaudio, em Urupema. Com pouco mais de quatro anos de atuação, o empreendimento investe na ampliação da produção própria e no fortalecimento do enoturismo, segmento que vem ganhando espaço na região.
Além de consolidar seus rótulos no mercado, a vinícola trabalha para transformar a propriedade em um destino turístico completo, onde os visitantes possam conhecer os vinhedos, participar de degustações e, futuramente, se hospedar em meio às paisagens serranas.
Uma trajetória construída a partir do enoturismo
A história da gerente da vinícola, Livia Morais, acompanha o crescimento do empreendimento. Durante a pandemia, ela interrompeu a graduação em Psicologia e passou a atuar no atendimento de turistas em vinícolas da Serra Catarinense.
O contato diário com visitantes e produtores despertou o interesse pela vitivinicultura e abriu caminho para uma nova carreira.
“Foi trabalhando com o enoturismo que eu percebi como o mundo do vinho é mágico. Toda safra é diferente, cada vinho é diferente, cada produtor tem sua história. Isso despertou muita curiosidade em mim”,
conta.
A experiência motivou Livia a concluir um curso de Sommelier e ingressar na graduação de Viticultura e Enologia no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), campus Urupema. Hoje, ela participa da gestão da Vinícola Gaudio e acompanha de perto a evolução da produção.
Vinhedo próprio fortalece identidade da vinícola
A primeira safra da Gaudio foi elaborada em 2021 utilizando uvas produzidas em Urupema. Há cerca de três anos, a empresa iniciou o cultivo do próprio vinhedo, que ainda está em desenvolvimento.
A expectativa é que, conforme as videiras atinjam a maturidade, os vinhos passem a expressar de forma ainda mais evidente as características naturais da propriedade.
Segundo Livia, fatores como solo, altitude e amplitude térmica fazem com que cada área produza vinhos com características particulares.
“Cada localidade produz um vinho diferente. Mesmo dentro do mesmo município, o solo e as condições mudam e isso influencia diretamente no resultado final.”
Portfólio reúne nove rótulos
Hoje, a Vinícola Gaudio oferece nove rótulos entre tintos, brancos, rosé e espumantes.
Um dos produtos que mais chama a atenção é o vinho laranja Tatu Dourado, elaborado com uma técnica tradicional na qual as uvas brancas permanecem cerca de 45 dias em contato com as cascas durante a fermentação. O método proporciona coloração alaranjada, além de maior estrutura e complexidade.
“Ele é um vinho muito diferente. A casca traz mais taninos e outros compostos, deixando o vinho mais estruturado. Harmoniza muito bem com frutos do mar, comida tailandesa, moqueca e pratos mais condimentados”,
explica.
Entre os tintos, o destaque é o Cedro, elaborado a partir de quatro variedades de uvas e maturado em barricas de carvalho antes de chegar ao mercado.
Outro rótulo que desperta curiosidade é o rosé Papagaio-charão.
O vinho nasceu durante uma safra marcada pelo excesso de chuvas, quando parte das uvas Cabernet Sauvignon não apresentou condições ideais para a produção de um tinto.
A alternativa encontrada foi produzir um rosé, que acabou conquistando espaço entre os consumidores.
“O nome homenageia o papagaio-charão, ave que faz parte da paisagem de Urupema. A coloração do vinho lembra detalhes da plumagem dessa espécie”,
afirma.
Qualidade reconhecida
Os rótulos produzidos pela Gaudio também vêm acumulando reconhecimento em avaliações especializadas.
Durante a Wine South America, realizada em Bento Gonçalves (RS), diferentes vinhos da empresa receberam pontuações entre 90 e 92 pontos, desempenho considerado de excelência por especialistas do setor.
Apesar das premiações, Livia acredita que o maior reconhecimento continua vindo do público.
“O maior prêmio é quando a pessoa lê o rótulo, cria uma expectativa e, ao provar o vinho, encontra exatamente aquilo que esperava.”
O diferencial dos vinhos de altitude
Para a gerente, a qualidade dos vinhos produzidos na Serra Catarinense está diretamente ligada ao conjunto de características da região.
Ela explica que a Indicação de Procedência dos Vinhos de Altitude considera critérios como manejo dos vinhedos, características do solo, amplitude térmica, métodos de produção e padrões de qualidade.
“O selo garante que aquele vinho segue um padrão específico e representa as características únicas da nossa região.”
Livia também ressalta que o frio desempenha papel fundamental no desenvolvimento das videiras, embora as geadas tardias possam provocar perdas quando ocorrem após o início da brotação.
“A planta precisa do período de dormência durante o inverno. O problema são as geadas tardias, quando ela já iniciou a brotação. Nessa fase, qualquer frio intenso pode causar prejuízos.”
Próximos investimentos
Entre os projetos da Vinícola Gaudio está a conclusão da estrutura destinada à vinificação na própria propriedade, além da expansão das atividades de enoturismo.
A empresa pretende instalar cabanas para hospedagem, permitindo que visitantes permaneçam na vinícola e participem de experiências que incluem degustações, harmonizações, gastronomia e contato direto com os vinhedos.
Com os novos investimentos, a proposta é fortalecer Urupema como um dos principais destinos do enoturismo na Serra Catarinense, unindo produção de vinhos de altitude, natureza e turismo em um mesmo espaço.
Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina, de Criciúma, e das rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.


