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05, 08, 2026
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Da ousadia ao reconhecimento: Villa Francioni ajudou a colocar a Serra Catarinense no mapa dos vinhos de altitude

Quando o empresário Manoel Dilor Freitas decidiu investir na produção de vinhos de altitude na Serra Catarinense, no fim da década de 1990, o setor ainda engatinhava na região. Vinte e cinco anos depois da fundação da Vinícola Villa Francioni, em São Joaquim, o empreendimento é reconhecido como um dos pioneiros na consolidação da vitivinicultura catarinense e na expansão do enoturismo.

A presidente do Conselho de Administração da vinícola, Daniela Borges de Freitas, relembra que o projeto nasceu a partir de estudos da Epagri, que apontavam o potencial da Serra Catarinense para o cultivo de uvas viníferas de alta qualidade.

Antes mesmo de plantar as primeiras mudas, Manoel Dilor percorreu tradicionais regiões produtoras de vinho nos Estados Unidos, França, Itália, Chile, Argentina e Uruguai em busca de conhecimento, tecnologias e referências para implantar um projeto inovador em Santa Catarina.

“Meu pai dizia que esse era um projeto pensado para o futuro, para as próximas gerações. Ele acreditava que a vinícola também ajudaria no desenvolvimento da região”, lembra Daniela.

Um projeto pioneiro

Fundada em 2001, a Villa Francioni iniciou a implantação dos vinhedos com variedades selecionadas trazidas da Europa. A primeira colheita ocorreu em 2004, em Bom Retiro, enquanto a safra produzida em São Joaquim veio no ano seguinte.

Em dezembro de 2005, a vinícola foi oficialmente inaugurada com o lançamento dos primeiros rótulos. Pouco tempo depois, os vinhos tintos começaram a chegar ao mercado.

Segundo Daniela, os primeiros anos foram marcados por desafios, já que não existiam referências sobre o comportamento das variedades cultivadas em altitude na Serra Catarinense.

“Foi um grande desafio mostrar ao mercado que a região tinha potencial para produzir vinhos de alta qualidade. Com o tempo, a qualidade foi sendo reconhecida e a marca conquistou seu espaço.”

Tecnologia e qualificação marcaram o crescimento

Desde o início, a Villa Francioni apostou em equipamentos modernos e em profissionais especializados para garantir qualidade em todas as etapas da produção.

Tanques com controle de temperatura, consultorias internacionais e sistemas modernos de engarrafamento fizeram parte dos investimentos realizados ainda nos primeiros anos da vinícola.

Para Daniela, cada detalhe interfere no resultado final.

“Todo o processo precisa funcionar em perfeita harmonia. Desde o vinhedo até o engarrafamento, qualquer etapa influencia diretamente na qualidade do vinho.”

Além da estrutura tecnológica, a empresa também investiu na capacitação de sua equipe, formando profissionais em uma atividade que ainda dava os primeiros passos na Serra Catarinense.

Vinícola foi planejada para receber visitantes

Muito antes de o enoturismo ganhar força em Santa Catarina, a Villa Francioni já havia sido concebida para oferecer uma experiência completa aos visitantes.

Construída em seis níveis, a estrutura reúne caves subterrâneas para o amadurecimento dos vinhos, áreas de visitação e espaços integrados à paisagem serrana.

A arquitetura também valoriza a sustentabilidade, com iluminação natural, estação de tratamento de efluentes e o reaproveitamento de materiais históricos, como tijolos de demolição e vitrais antigos.

Arte faz parte da experiência

Outro diferencial da Villa Francioni é a presença da arte como parte da identidade do empreendimento.

Apaixonado por manifestações culturais, Manoel Dilor idealizou uma galeria permanente dentro da vinícola. Atualmente, o espaço recebe exposições temporárias com curadoria do consultor cultural Edson Bustamante Machado, ampliando a experiência dos visitantes.

Legado que ultrapassa a produção de vinhos

Ao completar 25 anos, a Villa Francioni celebra não apenas sua trajetória, mas também a evolução da vitivinicultura na Serra Catarinense.

Para Daniela Borges de Freitas, o maior legado do empreendimento está em ter contribuído para transformar a região em referência nacional na produção de vinhos de altitude e em destino para milhares de visitantes que buscam unir gastronomia, paisagens e cultura.

Hoje, a Serra Catarinense reúne dezenas de vinícolas, movimenta o turismo durante todo o ano e consolida uma identidade própria no cenário vitivinícola brasileiro — um caminho que começou a ser trilhado por iniciativas pioneiras como a Villa Francioni.

Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.

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