A combinação entre paisagens de altitude, gastronomia e vinhos premiados vem fortalecendo São Joaquim como um dos principais destinos de enoturismo do Brasil. Entre os empreendimentos que acompanham esse crescimento está a Vinhedos do Monte Agudo, que há mais de uma década recebe visitantes interessados em conhecer de perto a produção dos vinhos de altitude da Serra Catarinense.
À frente da experiência oferecida ao público está o sommelier e diretor da vinícola, Leônidas Rojas Ferraz, que deixou a carreira na Engenharia Mecânica para se dedicar integralmente ao projeto familiar.
Segundo ele, a evolução do turismo do vinho acompanha o amadurecimento da própria vitivinicultura serrana.
“O enoturismo em São Joaquim cresce a cada ano e isso fortalece toda a região.”
Uma história construída em família
A trajetória da Vinhedos do Monte Agudo começou em 2004, quando a família adquiriu uma área na localidade conhecida como Morro Agudo, em São Joaquim.
As primeiras mudas de videiras foram plantadas em 2005, após um processo de importação vindo da França. Três anos depois, a vinícola apresentou sua primeira safra comercial.
Desde então, o empreendimento cresceu mantendo a administração familiar.
A gastronomia é conduzida por uma das integrantes da família, enquanto outra irmã responde pela elaboração dos vinhos. A área comercial também permanece sob responsabilidade familiar e o atendimento aos visitantes conta com a participação direta do fundador do projeto.
Para Leônidas, essa proximidade faz parte da identidade da vinícola.
Turismo de experiência ganha espaço
Muito além da degustação de vinhos, a Vinhedos do Monte Agudo passou a investir em experiências que aproximam os visitantes do cotidiano da propriedade.
Desde 2013, o espaço promove almoços harmonizados, piqueniques entre os vinhedos, degustações guiadas, eventos corporativos, casamentos e o já tradicional Sunset Wine & Music, realizado durante os meses mais quentes do ano.
O restaurante trabalha com um menu renovado mensalmente, valorizando ingredientes produzidos ou tradicionais da Serra Catarinense, como pinhão, truta, cogumelos e maçã.
Segundo Leônidas, a procura aumentou nos últimos anos, principalmente durante a temporada de inverno, quando São Joaquim recebe visitantes de diversas regiões do país.
O papel do sommelier
Durante a entrevista, Leônidas explicou que muitas pessoas ainda confundem as funções do enólogo e do sommelier.
Enquanto o enólogo acompanha todo o processo de produção do vinho, desde o cultivo da uva até o engarrafamento, o sommelier trabalha diretamente com o consumidor, orientando escolhas, harmonizações e experiências de degustação.
“O enólogo vai da uva até a garrafa. O sommelier vai da garrafa até a mesa.”
Para ele, não existe um vinho melhor do que outro de forma absoluta.
“O melhor vinho é aquele que proporciona prazer a quem está degustando. Nosso trabalho é ajudar cada visitante a encontrar o rótulo que mais combina com seu paladar.”
Produção artesanal e reconhecimento
A Vinhedos do Monte Agudo produz atualmente entre 20 mil e 30 mil garrafas por ano, elaboradas a partir das variedades Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Chardonnay e Sauvignon Blanc.
Em breve, a vinícola também deverá lançar um rótulo produzido com Riesling Renano.
Os vinhos acumulam premiações em concursos nacionais e internacionais e passam a integrar a certificação da Indicação Geográfica dos Vinhos de Altitude de Santa Catarina, reconhecimento concedido aos produtores que seguem os critérios estabelecidos para a região.
Entre os destaques está um Chardonnay maturado durante 14 meses em barricas de carvalho francês.
Após o ciclo de utilização, essas barricas ganham uma nova função e são reaproveitadas na estrutura da própria vinícola, transformando-se em mesas e elementos da decoração.
Próximo passo é investir em hospedagem
Com visitantes vindos principalmente de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro, a vinícola já planeja uma nova etapa de expansão.
Segundo Leônidas, o crescimento do turismo abre espaço para investimentos em hospedagem dentro da propriedade, ampliando a permanência dos visitantes na Serra Catarinense.
Para ele, o fortalecimento do enoturismo beneficia não apenas as vinícolas, mas toda a cadeia econômica regional, envolvendo hotéis, restaurantes, comércio, produtores rurais e serviços turísticos.
“Cada novo visitante ajuda a divulgar a Serra Catarinense. O vinho acaba sendo uma porta de entrada para que as pessoas conheçam toda a riqueza natural, gastronômica e cultural da nossa região”, conclui.
Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, além das rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.


