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23, 08, 2026
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Catarata acende alerta na Serra Catarinense, onde visão é essencial para autonomia no campo

Enxergar pior à noite, sentir incômodo com a claridade ou perceber a visão cada vez mais embaçada pode comprometer atividades essenciais para quem vive e trabalha nas pequenas cidades e comunidades rurais da Serra Catarinense. Os sintomas estão entre os sinais da catarata, doença que avança lentamente, geralmente sem dor, e pode reduzir a autonomia antes mesmo de o paciente perceber a dimensão da perda visual.

O alerta integra o Agosto Cinza, mês de conscientização sobre a catarata. A Sociedade Catarinense de Oftalmologia (SCO) reforça que piorar da visão não deve ser encarado simplesmente como consequência inevitável da idade.

Na Serra, o alerta ganha um componente cotidiano. Em municípios menores e propriedades rurais, manter uma boa capacidade visual é importante para dirigir, trabalhar no campo, circular à noite e executar atividades que exigem atenção e precisão.

Perda de visão pode afetar rotina de quem trabalha no campo

A catarata acontece quando o cristalino, lente natural transparente localizada dentro do olho, perde progressivamente a transparência.

Como a mudança costuma ocorrer aos poucos, a pessoa pode adaptar a própria rotina sem perceber quanto a capacidade visual já foi afetada.

“Envelhecer não significa ter que se conformar em enxergar mal. Muitas vezes, a pessoa adapta a rotina sem perceber o quanto a visão já foi comprometida. Deixa de dirigir à noite, precisa de mais luz para ler ou começa a depender de ajuda em atividades que antes fazia normalmente”,

explica o presidente da SCO, médico oftalmologista André Augusto Frutuoso.

Para moradores da área rural, limitações visuais também podem interferir em tarefas que fazem parte do trabalho diário.

Conduzir veículos, observar animais, utilizar ferramentas e equipamentos ou se deslocar em locais com pouca iluminação são exemplos de atividades nas quais uma perda progressiva da visão pode ter impacto prático.

Por isso, mudanças na forma de executar tarefas habituais podem servir de alerta para procurar avaliação profissional.

Distâncias também tornam autonomia importante em cidades menores

A Serra Catarinense é formada por municípios de diferentes portes e por uma população distribuída também em comunidades rurais.

Nesse contexto, a autonomia para deslocamentos e atividades cotidianas assume importância especial. Uma pessoa que deixa de dirigir à noite por não enxergar bem, por exemplo, pode passar a depender de familiares ou outras pessoas para realizar determinados trajetos.

A catarata pode provocar justamente dificuldade para enxergar em ambientes pouco iluminados, além de aumentar o incômodo provocado pelos faróis dos veículos.

Halos ao redor das luzes, alteração na percepção das cores e mudanças frequentes no grau dos óculos sem melhora satisfatória também estão entre os sintomas que merecem atenção.

Envelhecimento aumenta importância da saúde dos olhos

A idade é o principal fator de risco para a catarata. Diabetes, tabagismo, uso prolongado de corticoides e exposição à radiação ultravioleta também podem favorecer ou acelerar o desenvolvimento da doença.

O envelhecimento da população torna o assunto cada vez mais relevante. No Brasil, a parcela de pessoas com 60 anos ou mais passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023, segundo dados do IBGE apresentados pela Sociedade Catarinense de Oftalmologia.

“A catarata está diretamente relacionada à longevidade. Com o aumento da expectativa de vida, cresce também o número de pessoas que poderão desenvolver a doença. Por isso, cuidar da visão é parte importante de um envelhecimento com independência e qualidade de vida”,

ressalta Frutuoso.

Em 2025, conforme as informações divulgadas pela SCO, a cirurgia para catarata ocupou o primeiro lugar entre as filas de procedimentos cirúrgicos eletivos.

Catarata tem cirurgia como tratamento

A catarata já instalada não pode ser revertida com colírios ou medicamentos.

O tratamento é cirúrgico e consiste na retirada do cristalino que perdeu a transparência e na colocação de uma lente intraocular.

Também não é necessário esperar que a doença esteja em estágio muito avançado para discutir a cirurgia.

“Está ultrapassada a ideia de que é preciso esperar a catarata ‘amadurecer’ para operar. A indicação considera o quanto a doença está comprometendo a visão e interferindo na vida do paciente”,

explica o presidente da SCO.

Segundo o médico, a avaliação oftalmológica é necessária para definir o momento adequado para o procedimento.

Familiares podem ajudar a perceber mudanças na rotina

Nas pequenas cidades e comunidades rurais da Serra Catarinense, familiares também podem ficar atentos às mudanças de comportamento, especialmente entre os idosos.

Deixar de dirigir à noite, evitar atividades que antes eram realizadas normalmente, precisar de iluminação mais forte ou passar a depender de ajuda podem indicar que a visão está prejudicando a rotina.

O Agosto Cinza reforça que identificar a causa da dificuldade para enxergar é o primeiro passo. Nem toda alteração visual significa catarata, e a avaliação oftalmológica permite identificar o problema e indicar o acompanhamento adequado.

Sinais que merecem atenção

Entre os sintomas relacionados à catarata estão:

  • visão embaçada;
  • maior sensibilidade à claridade;
  • incômodo com faróis;
  • halos ao redor das luzes;
  • dificuldade para dirigir à noite;
  • dificuldade em ambientes pouco iluminados;
  • alterações na percepção das cores;
  • mudanças frequentes no grau dos óculos sem melhora satisfatória.

Para quem depende da visão para trabalhar no campo, dirigir ou manter uma rotina independente, perceber essas alterações e buscar avaliação pode evitar que a perda visual avance sem acompanhamento.

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